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JULGAMENTO ARES MARTE PDF Imprimir E-mail
 DINÂMICA:

O JULGAMENTO DOS ASPECTOS PSÍQUICOS DE ARES-MARTE EM NÓS...

O CONTEÚDO PSICOLÓGICO DE ARES-MARTE EM JULGAMENTO.


M. Nilsa Alarcon, J. C. Alarcon & Equipe

IMAGEM ARQUETÍPICA

O mito está em nós na raiz do instinto. O instinto de sobrevivência determina que a vida deva continuar. O instinto de sobrevivência exige do sexo a expressão de continuidade da espécie. O instinto de sobrevivência determina a luta para não morrer, mesmo que tenha de matar. O instinto não é racional; é uma força de luta: germinar, nascer e até matar para não morrer.  Para isto, há de ter foco, visão e determinação. Só a vitória interessa. No entanto, a força do instinto gera o ego, o falso eu.

A imagem arquetípica determina a linha de raciocínio para compreender o comportamento humano.


BASES PARA A DEFESA.

Principais Características e Qualidades:

Instinto de sobrevivência e impulso reprodutivo para continuação da espécie. Individualidade e ação. Coragem, lealdade e sinceridade. Defender a vida, lutar pela sobrevivência ou por uma causa, mesmo à custa de sacrifícios. Ao que está disposto a morrer por uma causa, também pode semear a morte. Ao que nasce para lutar, acompanham-lhe a determinação, o foco e a visão.


 ... E naquela manhã, Deus compareceu ante suas doze crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida humana. Uma por uma, cada criança deu um passo à frente para receber o Dom e a função que lhe cabia: "Para ti, Áries, dou a primeira semente, para que tenhas a honra de plantá-la. Para cada semente que plantar mais outro milhão de sementes se multiplicará em tuas mãos. Não terás tempo de ver a semente crescer, pois tudo o que plantares criará cada vez mais e mais para ser plantado. Tu serás o primeiro a penetrar o solo da mente humana levando Minha Idéia. Mas não cabe a ti alimentar e cuidar desta idéia, nem questioná-la. Tua vida é ação, e a única ação que te atribuo é a de dar o passo inicial para tornar os homens conscientes da Criação. Por este trabalho, Eu te concedo a virtude do Respeito por Si Mesmo”. E Áries, silenciosamente, voltou ao seu lugar. (Original de Martin Schulman – Karmic Astrology: The Moon’s Nodes and Reincarnation, 1977)

 
SIMBOLISMO

O carneiro é um dos símbolos arianos. A maneira como este animal se defende e ataca é utilizando a cabeça e, mais especificamente, os chifres. O mesmo ocorre com os alces, onde numa batalha sangrenta, um dos animais pode não sair vivo.

Esse símbolo nos fala muito da porção ariana que modela a psique dos seres humanos. Em primeiro lugar, fala do fato de entrar 'de cabeça' em alguma coisa que desperta o nosso interesse. Simboliza coragem.

Em segundo lugar, a disposição para lutar, se for preciso, por aquilo que queremos. Simboliza o espírito de luta, a noção de que as coisas precisam ser conquistadas com o fazer, o trabalho, a ação.

E, em terceiro lugar, simboliza o gosto pela luta, pelo desafio e pela disputa, pelo prazer de vencer. Ou seja, quando essa porção ariana é ativa em nós, não vemos a conquista como uma obrigação. Não vemos prazer no “objeto” conquistado, mas na própria conquista. A conquista mede a nossa capacidade, nos dá autoconhecimento, ou seja, a partir de uma conquista, sabemos mais sobre nós mesmos.

Para os seres humanos, o carneiro, um dos símbolos arianos, se trata de um animal dócil. Isso explica porque nem todos nós estamos envolvidos em brigas ou competições externas. Mesmo assim, esta nossa porção é uma energia que está sendo usada em algo. E que, num momento de necessidade, essa força pode jorrar dentro de nós, quando já nos pensávamos rendidos na vida. Eis que nos levantamos de cada perda, doença ou fracasso, dispostos a recomeçar. E perguntamos: que força é essa que nos levanta e nos faz seguir em frente? Dizemos: é o ESPÍRITO. Mas, aqui, o ESPÍRITO se revela em porções. E a porção do ESPÍRITO que nos faz levantar depois da queda é ariana.

Uns expressam uma porção maior, e outros uma porção menor. Esta é a razão de haver um limite pequeno para alguns entrarem em uma briga, enquanto outros têm um limite maior, mas a energia interna é a mesma – quer seja utilizada ou não. Com isto se quer dizer: mesmo que não usemos nossa porção ariana, ela está dentro de nós. Por essa razão, numa contingência fatal, acidentados num despenhadeiro, juntamos forças de onde pensávamos não existir e conseguimos sobreviver. Portanto, anote isto: o instinto de sobrevivência é uma característica da nossa porção ariana. Sem ela, estaríamos mais perdidos do que imaginamos.

Ainda no símbolo ariano, muitas vezes as nossas brigas dão em nada. É óbvio que os animais estão disputando quem ficará com a fêmea, mas, muitas vezes, não é um objeto que está em jogo e podemos dizer que, nesse caso, 'brigar é um esporte'. Você conhece pessoas assim, briguentas, que adoram explodir e gritar, mas de memória curta. O que importou foi a briga, o combate, o 'desabafo', ou então: “olha como eu sou bom de briga, sem medo de enfrentar e ser feliz”. A natureza desta porção ariana é clara, direta e sempre pronta para o revide, mas não é responsável por guardar rancor. Não confundir revide com rancor. O mito do herói vive em nossos corações, e o herói olha para frente; nunca para trás. Isto quer dizer que essa porção não é rancorosa ou vingativa, e mesmo que se vingue, em seu núcleo de energia, não existe o traço de rancor. O rancor pertence a outro mito. Aliás, tudo que fica armazenado e roendo o nosso íntimo por dentro, não pertence a nossa porção ariana. Esta porção não se demora sobre os eventos, nem fica a ruminá-los.


O INSTINTO QUE GERA A CAPACIDADE DE LUTAR

A capacidade de lutar, conquistar e vencer é parte inerente da nossa arquitetura psíquica por causa de Ares a governar o nosso instinto. Sem essa porção, fica difícil uma pessoa vencer na vida, seja qual for a área de interesse; e isto vai da conquista de um prato de alimento a um diploma, ou à iluminação espiritual.

Não se trata nem mesmo de “luta”. O nosso aspecto psíquico ariano só é fiel, e está verdadeiramente em ação, quando encaramos as batalhas da vida como uma espécie de jogo ou brinquedo; prazer e alegria diante dos desafios, jamais um dramalhão. Se encararmos como dramalhão, nós não estamos com o aspecto positivo do conteúdo ariano; estamos com o seu gênio contrário ou com os aspectos de outros arquétipos psicológicos.

Se essa porção estiver ativa em nós, lutar é uma necessidade encarada com ânimo e entusiasmo. Sem o gosto pela conquista, sem ânimo para os desafios, está adormecida a nossa porção ariana e capaz que nos sintamos mortos por dentro, ou muito cansados de viver. É com esta porção que sentimos a necessidade de iniciar coisas, de desbravar campos, de poder fazer as coisas por nós mesmos.

Conhecemos pessoas de paz que não brigam ou brigam pouco. Mas será mesmo que não estão brigando por algo ou tentando conquistar algo? Estariam mesmo paradas? Dificilmente. Muitos escolhem não entrar em combate, mas se entram, não há este que aprecie dar galantemente a vitória ao oponente. O que acontece é que estarão gastando sua energia em outra coisa. Talvez competindo consigo mesmos, por exemplo. Esta energia ariana modela a psique de todo vivente e ela não pode simplesmente desaparecer, mas amainar-se. Ela se transforma em ação. Além disso, muitos não brigam em casa ou com pessoas queridas, mas discutem com balconistas displicentes ou com atendentes de um serviço mal feito. Realmente, é este o nosso aspecto psíquico que não 'deixa pra lá' e nos impele a usarmos toda a nossa energia para fazer valer o que achamos que é correto.

COMO A NOSSA PORÇÃO ARIANA É FORMADA

E COMO AGE NA INFÂNCIA?

Ela é formada pelo Elemento Fogo e a porção Fogo faz com que nos espelhemos no PAI ou no elemento mais viril, forte, ousado, afirmativo e vencedor. Esta nossa porção admira o mais forte, embora lute pelo mais fraco, porque ela é a nossa porção forte.

Assim acontece quando a nossa porção ariana é inspirada pela figura paterna de modo positivo, quando vemos nosso pai como uma figura vigorosa e afirmativa.

A mãe continuará sendo importante, mas nos anos de formação da nossa personalidade, nossa porção ariana é projetada mais fortemente quando valoriza a ousadia e afirmatividade do pai.

Também há um traço importante: o pai é bom em alguma coisa. Não importa se esse pai é um executivo ou um mecânico, ele é bom, domina seu universo, ele 'faz', ele é ativo. Isso é tão forte que passamos a ver a realização no 'fazer'.

Nenhum de nós nasce para ficar parado, todos querem estar executando algo. Na infância esta porção pode determinar hiperatividade.

 
MUITA ATIVIDADE SEGUE O MODELO MASCULINO

MENINOS E MENINAS

Ser bem sucedido é fazer, é criar, é ser ativo, e não meramente ‘parecer bem sucedido’. O lançar-se e o movimentar-se são sumamente importantes para esta nossa porção psíquica; daí, muitos estão envolvidos com várias atividades, com muitos projetos, com muitas coisas novas começando. Quanto mais ativa for esta porção em nós, por mais que tenhamos uma aparência serena, mais nos encontraremos em constante movimento e ação. Parece que não paramos, estamos sempre absorvidos demais, com pressa, sem tempo, pois a vida urge!

A porção ariana nos faz perceber o mundo viril, ativo e masculino, forte e valente, sem lamúrias. No menino, naturalmente, esta porção o levará ao desejo de ser como seu pai, forte como ele, veloz como ele, afirmativo como ele. Mais tarde, tornando-se adulto, terá de aprender a compreender melhor o mundo feminino, já que, tendo crescido no mundo ‘claro’ masculino, ele pode não entender as exigências e meandros femininos.

Já na menina, nasce um dilema. Ela se identifica com o pai, mas não é do mesmo sexo que ele. Mesmo assim, ao longo da vida, inconscientemente, ela tentará ser um ‘homem melhor do que o seu pai’. Freqüentemente atrairá parceiros que não são tão fortes ou tão decididos quanto ela, embora isto possa acontecer de um modo muito sutil, tão sutil que ela se pensará fraca e continuará vendo no marido um cara forte que a anula; e com isto se sente tremendamente mal. Tal já não ocorreria se ela compreendesse a arquitetura de sua psique. Ela pode colocar sua energia para 'movimentar' o relacionamento e sem perceber, brigar para deixar tudo do jeito que ela quer, pois estará sempre brigando com o jeito do marido. Ela também não aceita facilmente o que vê reservado para o sexo feminino. Identifica-se com a ação, com a luta, e acha difícil ter a postura doce e passiva que, muitas vezes, se espera das mulheres. E por mais que seja reservada, discreta e aparentemente uma Amélia, no fundo ela é um vulcão de fogo, mesmo que seja para corroer-se e permanecer lutando “contra a situação ruim”. Ela nunca desiste de brigar pelo que quer.

O menino e a menina vêem o pai como um tipo de ‘herói’, não importa se um herói 'bom', quando o pai tem um bom relacionamento com o filho; ou se 'tirânico', quando o pai utiliza sua força para subjugar o filho. Muitas vezes, o ‘pai herói’ se mescla dos dois aspectos, o tirânico e o cheio de energia e dinamismo.

É esta nossa porção que nos faz desejar ser o ‘herói’ da nossa própria vida. Heróis são ativos e nós desejamos ser ativos. Sinceridade e transparência são as suas posturas mais evidentes.  Torna a expressão do rosto transparente. O coração também. Esta nossa porção se levanta contra deslealdades veladas e conspirações: ou se é seu amigo ou não se é. Através deste aspecto, não compreendemos muito bem quando as pessoas estão agindo de um modo aparentemente correto, mas, na realidade, estão cheias de más intenções. A única forma de relacionamento é a forma direta; é um choque descobrir pessoas mascaradas.


A VISÃO QUE ENXERGA AS MÁSCARAS ALHEIAS.

Ai de nós, quando a nossa porção ariana começa a “enxergar” más intenções numa pessoa. Já sabemos que não vamos aceitar a hipocrisia. Nessa hora, precisamos mais do que nunca da sabedoria de outras porções arquetípicas; porque no fundo, a nossa vontade é “eliminar o mal” que está diante da visão.

A nossa porção ariana não escolheria um companheiro ou companheira que quisesse estar o tempo todo na cola, sem permitir que trabalhemos, sejamos ativos e independentes; é um suplício. Podemos parar e dar atenção, mas quando sentimos vontade de fazer algo, a nossa porção ariana não aceita amarras. Porque é essa a sua essência: o ‘fazer’, o jogar sua energia totalmente em algo. É quando enxergamos rapidamente quem nos liberta e quem nos prende. Fugimos de uma relação por temor da prisão; a nossa porção ariana quando enxerga a possibilidade de ser invadida, tomada e aprisionada, recua e arma uma estratégia contrária: ela vai invadir e tomar de assalto. Faz isto por quê?

Porque a visão ariana foi modelada para enxergar como “tropeço” tudo que venha tolher a sua expressão e o seu desejo. Se eu quiser estar só, não me incomode. Se eu quiser ficar alheio, mergulhado no meu interesse, tenha a bondade de compreender. Se eu não quiser ouvir, não se chateie comigo. Se eu estiver ocupado, por favor, não me interrompa. Se eu não quiser lhe acompanhar, não insista porque isto me enerva. Se eu quiser ir, não me impeça; escolha me deixar livre. Se eu quiser falar, por favor, apenas me ouça. Se eu não quiser ouvir agora, por favor, espere momento mais indicado. Se eu não me interessar pelo que você fala ou faz, não me critique, pois não tenho obrigação de gostar do que você fala ou faz, pois me sentiria falso.

Muitas vezes, na avidez pela atividade, a visão nos faz enxergar rápido demais, daí termos menos paciência para fazer atividades em conjunto, normalmente levadas a cabo com maior demora. Ficamos impacientes com pessoas mais lentas e metódicas. Ou com normas nas quais não vemos muito sentido. Parcerias metódicas custam muito a fazer algo e tolhem a nossa autonomia, rapidez, imediatismo e ação. Segundo a natureza da nossa porção ariana, a ação é algo individual. Em alguns casos, a visão é esta: os outros mais atrapalham do que ajudam. E seremos sinceros, e a nossa sinceridade poderá doer, porque diremos: você está atrapalhando. Falaremos isso sem pensar, premidos por alguma circunstância aprisionante. Depois, até poderemos nos arrepender e pedir desculpas. Sim, esta porção tem dificuldade para VER que errou, mas nós aprendemos com outros arquétipos a reconhecer os nossos erros.

CONTESTANDO EGOÍSMO E IMPACIÊNCIA


MOSTRANDO RAZÕES

Há uma fama de que o nosso lado ariano é egoísta e pouco diplomático. Pode ser verdade porque quando esta força jorra em nós, já não vemos razão para esperar ou pedir opiniões: sabemos o que precisa ser feito – certo ou errado – não saímos perguntando o que devemos fazer. Fazemos e pronto.  

Também é verdade que um atributo famoso é a impaciência. Deveria ser dito: todo impaciente tem uma boa dose desse arquétipo funcionando ativamente. E isto pode gerar uma situação assim: se tivermos vontade de fazer um passeio, é preferível ir só a ter de esperar todo mundo se arrumar para sair. Nossa natureza se torna imediatista quando o aspecto ariano acorda dentro de nós. Quando toma conta, queremos resolver 'já', e não daqui a duas horas, tarde demais para a nossa porção ariana. Que dirá dias, então!

A decisão costuma ser fácil, é 'quero ou não quero'. Evidente que também ficamos indecisos e ouvimos a opinião dos outros, mas quando sabemos exatamente o que queremos, esperar pelos outros e perder tempo passam a ser um suplício. Precisamos, então, entender a razão desta impaciência. Claro, ela precisa ser transmutada, mas não será se não houver compreensão. Entretanto, há que levar em consideração a natureza própria dessa força e ela se mostra maior do que nós.

A questão da diplomacia? A porção ariana existe para que sejamos diretos, claros e objetivos, e para isto a porção de coragem tem de estar presente. Somemos estes atributos com a impaciência e entenderemos que os jogos e cenas das firulas sociais, podem nos desagradar muito. Podemos ser educadíssimos, mas tudo que travar o jorro espontâneo dessa energia, vai nos fazer falar a verdade. Cobram-nos diplomacia para falar a verdade, mas existem verdades que não é possível a diplomacia. Não buscamos o confronto, mas temos coragem de confrontar se for necessário. Nessas horas, a nossa porção ariana pode ser menos sutil, sejamos intencionais ou não. Nossa resposta ariana agita qualquer ambiente, quebra a norma burra, desengessa o ritual social e pode gerar até um tumulto emocional ao redor. E se alguém se voltar contra isto, então, sim, vai estabelecer a turbulência: podemos nos tornar francos demais e até contundentes, dar respostas duras, a parecer que estamos brigando. Nada disto. Estávamos apenas dando a nossa opinião.

Se estivermos nos sentindo provocados por uma situação ou pessoa, vamos buscar esclarecimento. Mas, é porque queremos a solução, em vez de deixar as coisas paradas e mal resolvidas.

É preciso expressar muito pouco desta energia para seguir pela vida relevando tudo, na base do “deixa para lá”. Tanto que, mesmo uma pessoa que já atingiu um bom balanceamento dos demais arquétipos, pode ser capaz de esperar meses para dar uma resposta de qualquer situação não resolvida. Mas, na hora de dar essa resposta, o impulso nasce da porção ariana: e sempre será uma resposta espontânea, transparente e objetiva. Ou é assim, ou essa resposta não é ariana.

ENERGIA ARIANA SE MANIFESTA A PARTIR DA CABEÇA

Esta nossa porção – em forma de energia – se localiza na cabeça e se comunica com o corpo todo. Por isso, quando nos sentimos frustrados, se a nossa porção ariana for muito expressiva, é a cabeça que dói. Essa energia faz a nossa cabeça trabalhar muito e isto gera um formidável gasto; tanto que experimentamos tensão e ficamos esgotados. É uma energia sem parada; nosso cérebro não agüenta a sua potência total; agüentamos apenas uma fração do seu poder. Por isso, “ficar parado”, parece representar um suplício ou um carma. O dom deste arquétipo é a energia inesgotável para agir e criar, e voltar a agir para criar novamente.

O QUE O DEUS ARES-MARTE RECOMENDA?

Se estas descrições forem suficientes para avaliar a potência da nossa porção ariana — suponha que seja expressiva — o que precisamos aprender? O que o deus Ares-Marte recomenda?

Certamente, precisamos aprender a canalizar esta energia abundante para direcioná-la de modo proativo, positivo! Saber que nem sempre devemos sair 'chifrando' ou batendo de frente com os outros. É quando nos revelamos transmutados nestes aspectos.

No entanto, suponha que seja ao contrário: falta-nos bastante deste fogo ariano: impulso, sinceridade, clareza, objetividade e coragem para enfrentar as batalhas da vida. Neste caso, o que devemos fazer?

Há duas alternativas:

1. Cultivar através do autoconhecimento HUMI.

2. Esperar que a vida nos coloque num despenhadeiro para que o instinto de sobrevivência, em choque, nos faça tirar a rolha da nossa garrafa mágica e liberar o nosso gênio ariano. Aliás, esta segunda alternativa é típica do governo ariano.

Como primeiro elemento na arquitetura psíquica, esta porção representa o nascimento e também a primeira respiração; a criança descobrindo a vida; o instinto de sobrevivência, sem o qual não teríamos sobrevivido na Terra; os primeiros estágios da humanidade. E não há descoberta sem ação, ousadia e experimentação.

Sem ela, o mundo seria falto de entusiasmo; as pessoas seriam apenas lerdas e metódicas. Nunca ousariam... E então, o que seria da evolução?

BASES PARA A ACUSAÇÃO.

Quando distorcemos a força ariana dentro de nós:

O instinto de sobrevivência se torna luta insana pelo poder temporal; o impulso reprodutivo para continuação da espécie se torna tara sexual. Individualidade e ação se tornam individualismo estéril, egoísmo e parasitismo. Coragem, lealdade e sinceridade se tornam temeridade e ausência de sentimentos humanitários. Defender a vida se torna ato contrário, horrores e morte: ao que está disposto a morrer sem causa alguma, também pode matar sem causa alguma.


O Mito de Ares-Marte é acusado de promover desde a guerra e o horror, de modo brutal e sanguinário, pelo prazer de destruir, até aspectos menores, igualmente fatais para a evolução da raça humana: egoísmo, revide, turbulência e ingratidão, agressividade e opressão.

Egoísta, impulsivo, turbulento, agressivo e opressivo. Ingrato. Exigente. Cobrador. Radical. Indisciplinado. Desrespeitoso. Grosseiro. Rude. Estúpido. Invasivo. Muitas vezes, parasita ou explorador.

Não é o Mito – verdadeiramente – que estamos a julgar. Mas, sim, estes aspectos em nós.

Vejamos, então, a linha de acusação, desde os primórdios do nascimento deste Mito.


NOS PRIMÓRDIOS:

Tragédia de guerras, assassinatos, estupros e traições. Horror é o nome de sua rota na Mitologia Grega, pois se tratava de um Deus impopular. E só era chamado em último caso, quando o País corria o risco de perder uma guerra e se tornar escravo. Então, somente neste caso, ele serviria. E vinha ele com os seus filhos à frente: Fobos e Deimos, o Terror e o Horror. Seu prazer era matar. E ele apreciava os seus filhos. Encontrava prazer em provocar o medo e horrorizar.

Impopular na Grécia, ele foi levado para Roma, como símbolo dos guerreiros, dos gladiadores, que eram os agentes das carnificinas romanas, o teatro da crueldade como esporte. Foi aí redimido como símbolo da coragem, o herói, o sempre vitorioso.

Muitos de nós, já sublimamos esta parte do Mito. E pensamos estar livres de criar filhotes como Fobos e Deimos. Estamos a ver cenários de horror nas guerras de Iraque, EUA, Israel e Palestinos no Líbano, bem como dos fundamentalistas contra o mundo.

Não é preciso olhar para tão longe. Basta olhar ao redor e ali mesmo no Rio de Janeiro e em qualquer favela, o crime organizado persiste no terrorismo da matança, demonstrando como este Mito prossegue vivo e incorporado em tantos viventes. Estes pais e estas mães geraram muitos Fobos e Deimos; eles são numerosos e estão aí para destruir e matar sem dó nem piedade. São cruéis desde cedo, como os moleques Deimos — demônios — que trucidaram o menino de 6 anos, arrastando-o pelas ruas do Rio de Janeiro, numa imolação sem precedentes, sem causa, sem justificativas. Motivação: instinto torpe, cruel!

Entretanto, não vamos julgar esta parcela de horror, pois nem cabe julgamento, já que a condenação se antecipa imediatamente.

O que vamos julgar aqui é a nossa menor parcela de Ares-Marte: egoísmo, revide, turbulência e ingratidão, agressividade e opressão. Existe muito mais, porém, é suficiente esta abordagem para condenar estes aspectos em nós, e buscar a transmutação. Pois, a única sentença que podemos receber é esta: transmutar.


O EGOÍSMO

Primeiro vem o seu famoso egoísmo: só pensar em si mesmo e viver voltado para o próprio umbigo, pensativo de como levar vantagem em tudo. Esta é a luta: obter vantagens; mesquinharia pura para os outros; mas, generosidade abocanhadora para si mesmo. Só venha a nós e ao vosso reino nada. Por conta do egoísmo instintivo, este aspecto se torna um vampiro da energia alheia: o aproveitador que está sempre pensando em como tirar vantagem de tudo – família, trabalho e qualquer relacionamento. Não raro, pode estar envolvido em algum evento de corrupção ou tirando proveito de alguém.

A maneira de praticar a justiça é sempre levando em consideração o que é “justo” para si mesmo, ainda que outros não concordem. A sua visão não consegue se afastar da idéia de lograr uma vantagem. E toda a sua ação segue nesta direção: tem de haver uma vantagem para si mesmo. Se não houver, não há razão para se interessar ou lutar. Esta porção ariana encontra expressão em boa parte da raça humana. Que se dane a sociedade e a natureza; o que importa é que a vida é uma guerra, uma luta e “tem de matar um leão por dia”. Esta é a sua visão. É a sua necessidade a falar mais alto; a necessidade do outro não importa; a opinião também não. Importa o que ele sente, pensa e quer. Com isto, não cria vínculos emocionais equilibradores. A sentença: remover a visão do “tem de matar um leão por dia” e cultivar diariamente a visão da Harmonia, em que pese contemplar uma sociedade deimofóbica.


O REVIDE

Depois de sair atropelando os outros pela vida por causa do seu egoísmo, vem a sua questão de querer sempre revidar e ficar com a última palavra. A sua imprudência é quase sempre precipitada pelo individualismo estéril, falta de autocontrole e desejo de revide. E no revide imediato está a sua vingança e não o seu afamado senso de justiça. Ele se acha...

Na galeria dos arquétipos, Ares-Marte está entre os que têm o revide mais rápido. E quem reage com rapidez, não pensa. Acredita-se inteligente por responder rápido; mas, quem nunca se dá um tempo para refletir, diz o ditado: o apressado come da forma crua. Portanto, quando a Lei de Causa e Efeito lhe faz o devido retorno, ainda se acha injustiçado. E, nisto, prova a sua ignorância. Portanto, a sua afamada visão-determinação-foco encontra aqui o aspecto contrário: exatamente a sua cegueira, porque não quer perder tempo em analisar mais de um aspecto; basta a sua reatividade ser ativada por alguma manifestação exterior, e já é motivo suficiente para revidar. Ele responde pelo que sente de imediato a focar apenas um aspecto, não porque tenha uma visão mais ampla. Só o seu ponto de vista vale num revide. Só o que ele sente tem valor e não há o que esperar; deseja mostrar isso imediatamente. No momento do revide, seu jeito endurece; ele perde a sintonia com amor, bondade, compaixão e compreensão. Fica cego. Não entende mais nada. Revida e depois quer uma explicação. Mas, que pessoa ainda desejará lhe responder depois de um revide cortante e antipático? Só se for outro de igual espécie. A sentença aqui é: conter a mania de revidar, responder por impulso e praticar o silêncio reflexivo; transmutar o desejo do poder em dar a última palavra quando esta não lhe for solicitada.


A TURBULÊNCIA E A INGRATIDÃO

Depois do egoísmo e da reatividade, vem a sua energia de turbulência: como ele revida, acha que está apenas respondendo às provocações; então, vêm os enfrentamentos, as afrontas e finalmente, o desrespeito. Acha-se muito valente; no entanto, tudo começa de uma ilusão turbulenta, que ele valoriza a ponto de promover rebordosas ou declarar guerra, porque se acha o dono da verdade. Basta discordar, rejeitar algo de sua personalidade, e já é o suficiente para ficar na sua mira de tiro. Há que entender: essa energia turbulenta mora dentro dele. Mesmo que ele não provoque, ele atrai turbulências: brigas, traições, deslealdades, desafetos, intrigas, competições de egos, acidentes e muita raiva. Sua raiva é como um relâmpago. Não teria duração se ele não tivesse outros arquétipos concorrendo para fixar os ressentimentos. Raiva, mágoas e os ressentimentos, portanto, não seriam duradouros para ele. Ele perdoaria, sim, porque a sua energia é de seguir em frente como um rolo compressor, sem se importar com quem vai ficando para trás. No entanto, suas obras seguem-no. E ele fica raivoso porque as pessoas não têm capacidade de esquecer; elas vivem do passado; ele não. O passado não existe e todos os desafetos morreram também. Ele os mata e os congela em sua visão de passado. Não vive de páginas viradas. Implacável, ele não tem gratidão aos que lhe ajudaram no passado. Só importam as pessoas que estão lhe ajudando AGORA. Ele, definitivamente, não tem gratidão às pessoas que passaram. E, na maioria das vezes, elas se foram por causa dos seus revides. Seu discurso é sempre este: eu não atirei a primeira pedra; toda turbulência não foi causada por mim. Ele não se penitencia, mas se absolve de todas as culpas, porque vive absorvido pelo seu ego. A sentença aqui é praticar a meditação do cesto de bênçãos: agradecer a todos que ficaram para trás, porque foram estas pessoas e eventos os auxiliares do seu ser, estar e acontecer.


A AGRESSIVIDADE

Egoísmo, reatividade/revide, turbulência/ingratidão e, agora, a agressividade. É a sua marca registrada: o olhar se torna duro e não apresenta qualquer vestígio de bondade, amor e compreensão; a voz se torna metálica, estridente e desagradável. Ele só sabe reivindicar com ares de impaciência, acidez, azedume, ironia ou gritos. Sua boca cospe a sujeira do verbo mais chulo e ele desce ao nível das expressões mais grosseiras. É capaz de desfiar uma grande coleção de palavrões, pois quando está furioso não se contém. Gosta de empurrar as pessoas e quebrar objetos. Grita e diz que não gritou. Fica furioso e não suporta que lhe digam: você está nervoso. Pode ficar cego e partir para o delito mais grave: bater ou matar. Pode se orgulhar de ter espancado ou matado. No mínimo, orgulha-se de ter respondido, revidado... É assim que demonstra a sua coragem. Torna-se jactancioso ao desfilar suas memórias de revide e agressividade, como se fosse para firmar o seu elemento de “macheza”. Para ele foram grandes feitos de coragem. Ele não discerne o que é coragem e o que é agressividade. Seu discurso é sempre o mesmo: sou franco, não sou falso. A sentença aqui é: cultivar o sorriso, as maneiras gentis, as formas elegantes e transmutar o egoísmo visceral.


A OPRESSÃO

Egoísmo, reatividade/revide, turbulência/ingratidão e, agora, a opressão. Ele oprime tanto direta quanto indiretamente. Ele diz que quer ser respeitado e que não o será, se não for através da sua forma amedrontadora. E isto oprime as pessoas. Elas o evitam. Por que o evitam?

Ele não tem paciência para ouvir; dá cortes na pessoa; interrompe sua linha de raciocínio; não permite que a pessoa complete uma frase. Os cortes são abruptos e indelicados. Desagradáveis. Ele exerce pressão para não ter que ouvir a opinião dos outros.

Ele não tem paciência com os defeitos alheios e nenhuma gota de compreensão; as pessoas têm de corresponder ao modelo que ele idealiza. Se frustrá-lo, ele as mata; deixam de fazer parte do seu círculo de relacionamentos. No seu círculo só ficam as pessoas que concordam com o seu jeito. Um jeito que ele classifica de franco, nunca de tirânico. Não tem autoconhecimento suficiente para saber quando está sendo tirânico com a sua franqueza contundente.

Ele mais critica do que elogia. Tem muita dificuldade para ver o lado positivo das coisas. Em todo empenho ele consegue localizar um “mas” para apontar como detalhe negativo. Em vez de apreciar, ele tem a mestria de usar o elogio como corda para a pessoa se enforcar.

Porque ele não tem medo de machucar e machuca, machucando mesmo e não está nem aí. Por estes aspectos e muitos outros, ele oprime.

A pessoa, ao se sentir oprimida por ele, se retrai, deixa de ser natural e espontânea. Passa a usar uma máscara diante dele. Ele vê porque tem a visão. Nasceu com ela. Mas, é cego para usar este seu dom. E quando ele vê a máscara, não suporta e parte para arrancá-la desajeitadamente. E arranca com dor. Diante de Fobos, a pessoa pode ficar no mínimo desconfortável e no máximo apavorada. Ou foge ou o declara como inimigo. Mas, se for uma pessoa sábia, suporta a dor e se transmuta. A pessoa vence porque se transmuta, mas ele será sempre um perdedor enquanto não perceber seu caráter opressivo. Por essa razão, a sentença aqui é: permitir que as pessoas se expressem livremente, sem exigir que elas correspondam ao modelo que ele determinar.

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