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 SENTENÇA DO JULGAMENTO

DOS ASPECTOS DE ÁRIES-MARTE EM NÓS.


Proferida em 24/03/2007 pela:

Suprema Corte da Ordem Magna HUMI

Por M. Nilsa Alarcon

A confusão, a celeuma, o não entendimento da proposta faz parte da primeira dinâmica – “O Julgamento dos Aspectos Psíquicos de Ares-Marte em Nós”, porque num dado momento vocês não saberiam dizer: se julgavam os ASPECTOS PSÍQUICOS, o MITO, a FORÇA, o ARQUÉTIPO, ou ainda, se estaríamos julgando o modo como utilizamos esta força, ou seja, dualmente — positivo e negativo — ou julgando até mesmo as implicações na sociedade.

O esclarecimento não era para ser dado antes do julgamento. As regras não precisavam ser claras. Cada um teria de buscar esse esclarecimento por seu próprio esforço, o esforço da reflexão. O grupo teria de chegar à conclusão e à seguinte pergunta: afinal o que estamos julgando?

A dinâmica tem a proposta de acordar, de conduzir à reflexão de que as forças da natureza atuam. E que nós somos espelhos refletindo de acordo com a qualidade do espelho. É claro que um espelho embaçado vai refletir distorcidamente. Na primeira dinâmica, não dá para entender direito. Confrontamos a nossa confusão interior. A coisa não nos parece clara. Sentimos falta disto. E temos de ser corajosos, expressivos e dizer isto claramente: eu não estou entendendo.

Nesta dinâmica, julgamos os três aspectos, tanto a força pura da natureza, onde não cabe recurso de nenhum tipo, o modo como usamos o positivo e o negativo, e estamos julgando também a somatória de toda atitude individual, que vai se refletir na sociedade em forma de egrégora coletiva.

Depois de passadas todas as etapas do julgamento, caminhou-se em busca das respostas, da clarificação. Como Deusa do Mundo Oculto, Perséfone, Eu absolvo a Força; condeno os aspectos negativos a praticarem o autoconhecimento porque é uma sentença educativa.

Para alguns essa pena será um prazer, para outros um fardo. E para aquele que for um fardo — trilhar uma vida de autoconhecimento, obrigar-se a debruçar nos livros, nas técnicas, nas teurgias e nas dinâmicas, — então para esse já terá a sua sentença e a sua punição.

Àquela para quem isso será um prazer é porque conseguiu transformar um limão numa limonada.

Digo-lhes que a cada nova etapa, cada nova estação ao longo da viagem de nossos doze arquétipos, teremos o reconhecimento da nossa arquitetura psíquica, do nosso mundo oculto, da nossa população interior.

Hoje através desses aspectos evocados através do arquétipo ariano, alguns indivíduos da nossa população interna foram identificados, tais como: do nosso lado positivo – impulso, coragem, ação, élan, entusiasmo, motivação, visão, foco. Muito bom, ingredientes do sucesso, sem os quais nós não vamos a lugar algum, nem sequer levantamos pela manhã e se levantarmos, será sem vontade, com preguiça ou desmazelo.

Do outro lado – o revide, a agressividade, o egoísmo, mas, sobretudo, uma coisa que não foi citada aqui – a opressão. Do como nos sentimos oprimidos por nós mesmos, que é uma escolha; na dualidade você pode escolher a liberdade ou a opressão e de como oprimimos as pessoas, e fazemos isto constantemente, porque constantemente estamos obrigando as pessoas a escolherem, a tomarem atitudes que, muitas vezes, elas não querem tomar.

Vamos condenar: a opressão, o egoísmo, a covardia.

Não se trata de condenar a FORÇA, mas o aspecto negativo: preguiça é aspecto, covardia é aspecto... Por isto, condeno e dou uma sentença: ao preguiçoso, que varra o chão, que pare de colocar todo o seu trabalho e serviço sobre as mucamas, que aprenda a se movimentar. Lei do Movimento, porque esse aspecto representa não depender de nada, nem de ninguém, de não ficar esperando que o outro tome a iniciativa. Condeno esse aspecto de sempre ficar esperando. Condeno esse aspecto de espera que nunca alcança.

Absolvo o aspecto que espera, luta e sempre alcança, e a sentença só pode ser uma: onde haja preguiça que haja movimento, onde houver covardia que haja coragem, onde houver temor, onde houver medo que haja valentia. Enfrente o seu medo e a sua covardia, não aceite isso.

Portanto eu condeno esses aspectos negativos em todos nós, pois somos os réus verdadeiros. Na dinâmica, um espelho foi colocado para simbolizar o réu. Basta fitar o espelho e saberemos quem é o réu. A sentença é que façam um bom Tribunal de Touro e persistam até a décima segunda etapa.

Esse Tribunal de hoje certamente deve ter movido alavancas em seu inconsciente. Aqui não se pretende ensinar nada teoricamente, pretende-se que, ao vivenciar a dinâmica, o seu próprio inconsciente mova as alavancas a partir das reflexões.

Esse julgamento somente serviu para mostrar a sua coragem de enfrentar tudo ou a sua agressividade. Refletir acerca de como está o seu lado agressivo, o quanto já transmutou, o quanto está disposto a melhorar.

Por outro lado, o quanto eu não tenho coragem, ou eu já tenho coragem ou tenho coragem até demais. E na contraparte disso o egoísmo! Aquela tentativa quase doentia que luta para abocanhar um pedaço do outro de uma maneira neurótica. Este é um aspecto negativo de nossa psique, o egoísmo. Sempre querendo levar vantagem em tudo. Áries em nós acaba sendo bastante materialista por causa do nosso ego, por querer abocanhar tudo e querer ter segurança a qualquer preço. Tudo isso por causa do medo que é o oposto da coragem. Acaba por sobrevivência tendo medo de tudo: medo do futuro, medo da velhice, medo da pobreza, medo do desamparo... E isto, muitas vezes, não aparece na forma de medo, aparece assim como uma luta desvairada em ter dinheiro. Até nos mínimos gestos se procura não gastar nada e colocar outro para gastar por ele. Assim se mostra todo o aspecto egoísta. Isso tem que ser equilibrado, tem que ser temperado. Isso não precisa só de reflexão, só de análise, precisa de mudança de atitude. A força não é dual, dual é a forma como vemos tudo. Nós interpretarmos tudo de maneira dual, então a sentença que dou é esta:

— Vamos trabalhar em nós, vamos condenar esses aspectos, sentenciá-los ao processo educativo e transformativo, sobretudo o egoísmo, a preguiça, a covardia ou a inércia, o revide e a agressividade, finalmente a opressão.

Esta é a sentença educativa. Mas, agora vem a sentença executiva: para limar o egoísmo de Áries, enquanto trabalhamos as reflexões durante o mês ariano, já vamos preparando o Tribunal de Touro e para isto, a sentença é que cada um traga um novato, leigo, para participar do próximo julgamento. Afinal, se quisermos vencer o egoísmo, nós teremos de pensar, buscar e trazer o outro. Esta é a sentença executiva para todos nós.

Portanto, a sentença implica dois desafios: transmutar os aspectos negativos e empreender a primeira ação transmutadora do egoísmo – pensar, buscar, trazer o outro – novato ou leigo – para usufruir do mesmo PROCESSO VIVENCIAL de transmutação. Possibilitar que outro usufrua o nosso privilégio de saber, crescer e acontecer. Não há muito o que mudar em si mesmo usando apenas o discurso; a ação é necessária, por dentro e por fora.

Que fique assentado no Livro de Tarefas do Trunfo HUMI todos os registros e vivências desta dinâmica, os quais atesto e firmo-os com a fé em Deus.

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