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Home Apresentação Artigos ATENÁ, A CRONISTA DO TRUNFO HUMI SP
ATENÁ, A CRONISTA DO TRUNFO HUMI SP PDF Imprimir E-mail
 ATENÁ, A CRONISTA DO TRUNFO HUMI SP

Rita Hetem

No meu ângulo de visão, durante o julgamento dos aspectos psíquicos de Ares-Marte em nós, a argumentação foi forte, incisiva, cômica, exagerada. A Promotoria levou o espelho (símbolo do réu) para que cada membro do Júri se olhasse. A defesa, por sua vez, perguntou o que seriam dos bebês, não fossem os bombeiros a salvá-los heroicamente de incêndios.

A Promotoria sinalizou que o “público de acusação” era mínimo, que poucos estavam dispostos a manifestar a necessidade de transmutar seus aspectos negativos. A defesa afirmou que uma força maravilhosa tem seu direito de ser.

E assim foi. Resultado:7 X 0 para a defesa.

Uma votação inusitada, pois a justificativa dos votos era que a condenação e a sentença não cabiam à FORÇA, mas sim às pessoas. Portanto, Ares-Marte estava absolvido, desde que ocorressem os devidos cuidados.

Orientada por seu assessor, Dr. Eduardo – que comunicou que esta votação estava impugnada, pois não tinha lógica – houve uma primeira apelação.

Eduardo entrou em cena: “Senhores Jurados, boa tarde. Está muito boa a votação de vocês, muito bonito mesmo, mas tá tudo errado. Não é nada disso. Vocês fizeram tudo errado.”

Orientados pela Ordem Magna, os advogados apimentaram argumentos e performances. Ficaram mais teatrais, exagerados, protestando contra as apelações do colega.

E a confusão instalou-se. Parecia haver torcida com direito a pom-pom, dancinha e grito de guerra. Havia uma torcida (afinal, assumida!) na platéia, que agora se manifestava, discordando dos argumentos, protestando, querendo pegar o microfone e falar.

A Promotoria toma a palavra, afirma respeitar os votos dos senhores jurados, mas confessa-se perplexa, pois todos absolviam desde que a sentença fosse cumprida.

“Vocês concordam com a Promotoria, só não percebem isto. Acorda, gente!”

Pronto, o pau comeu. A Defesa protestava, levantava e dizia que não podemos condenar uma Força, que é sempre pura, e que se a sentença for o autoconhecimento, então é uma sentença gostosa, que não pode ser.

Eduardo: “Mas uma sentença pode ser punitiva ou educativa!”

O público pede para se manifestar.

Renata Jordão, lá de Petrópolis-RJ quer dar um parecer, ressaltar o aspecto do mito do desamor de Hera e Zeus a seu filho Ares. Eduardo arrebenta: “Então tá: porque a mamãe não foi legal, ele pode sair por ai matando? Não, não é assim!”

Lídia Duarte pede para falar: “Eu vim como público a favor. Mas mudei de lado e quero explicar o porquê: quando vi que o Réu era o espelho, percebi que o réu era eu mesma... Como tenho agressividade em mim, percebi que eu tenho que trabalhar estes aspectos em mim, então tenho que aceitar a condenação e as sentenças...”

UAU! Alguém entendeu! Mas não no Júri!

Nova votação: 7 X 0  a favor da defesa, de novo! (ou agora será 14 X 0 ?)

Ouçam as gargalhadas cósmicas de Nilsa Alarcon por todo o mundo virtual, porque encarnando Perséfone, ela ficou oculta o tempo todo nos “observando”, sem que ninguém a visse.

As justificativas ficaram ainda piores, vozes trêmulas ou então demonstrando uma torcida, mesmo, um “não dar o braço a torcer”, assim:

“-Agora é que eu absolvo mesmo!!!” – e risos, e aplausos, e público quer falar e a Promotoria  protesta novamente, pede para impugnar a votação (pondera-se se seria adequado desqualificar o Júri, que não parecia disposto a refletir) e, por fim, apelamos para instâncias superiores – e a Ordem Magna veio manifestar-se e botar ordem no “puleiro dos Anjos”, que silenciou para ouvir e, oxalá, tenha ouvido mesmo...

REFLEXÕES

Curioso!

Ganhar ou perder não vinha ao caso (ainda que sempre é o caso para o arquétipo ariano), mas a unanimidade no Júri foi extremamente surpreendente.

Teria sido pela ordem das falas dos jurados, os primeiros a se manifestar influindo no parecer dos demais?

Estaríamos lidando com pessoas muito deprimidas, que precisam tanto de Ares que não se dão conta de que até os aspectos positivos precisam ser trabalhados para serem construtivos?

Estaríamos diante de um público que não se dá conta de seus aspectos negativos, de sua agressividade e intransigência ou, se os vê, não assume isto de público de jeito nenhum (bem ariano, aliás...)?

Seria um Júri tão, mas tão esclarecido que jamais oscilou de seu foco inicial: “estou julgando a Força, e Força não se julga, então já tenho o veredicto” – e, portanto não se permitiu refletir sobre as situações e argumentações expostas?

A Promotoria teria usado argumentos inadequados? Filosóficos demais? Intensos demais? A energia inadequada?

A Defesa teria apelado demais?

O Júri saberia de fato o que estava fazendo lá?

Aliás, esta pode ter sido uma falha na organização: preparar o Júri e esclarecer os critérios para suas respostas: isenção, clareza, sentido. Ajudá-lo a entrar no jogo, ajudá-lo a vestir a camisa de quem vislumbra as conseqüências (individuais e coletivas) de sua decisão.

A proposta do Julgamento seria, em si, confusa? Ela se sustenta ao longo dos 12 julgamentos, ou o que pudemos compreender no primeiro já dá cartas marcadas para as próximas oportunidades?

A compreensão profunda disto, não sabemos.

Enfim... O principal objetivo assumido pela equipe de Trunfo (envolver as pessoas estimulá-las a participar, a falar, a refletir sobre o assunto) parece ter sido atingido.

Havia um clima divertido ao final, participativo, pessoas se imaginando a participar dos próximos tribunais, uma adrenalina interessante.

Gostaríamos de, após o Tribunal, podermos sentar com o público e com a Ordem Magna para partilhar o processo de montagem, a sensação antes e durante (parece que Ares, e sua competição sem diálogo se instaurara durante o Tribunal, e isto, ingenuamente, não havíamos previsto).

E gostaríamos de partilhar esta sensação com as pessoas, pois talvez – talvez... – elas pudessem perceber como se instala um aspecto ariano, assumindo a direção da conversa, que deixa de ser conversa, deixa de olhar para o outro, deixa de se importar - pois “o outro” se torna aquele a quem devemos vencer, ou nos ameaça – e ponto. O final do Tribunal parecia aquela conversa do espanhol a respeito da goiabada: “tem gosto de sabão, mas é goiabada”...[1]

De todo modo, pensamos que outros tribunais virão, e outras pessoas, ao se debruçarem sobre aspectos e papéis de advogados, testemunhas, etc, estas coisas virão se aclarando...

De todo modo, gostaríamos de ter o feedback da maior parte das pessoas.

Quem vos narra é a Cronista Atená – com memórias esparsas de sua encarnação como Promotora e Psicóloga.

28 Março2007.

[1] Dizem que um espanhol discutia com alguém:

“-Isto aqui é goiabada!”

E seu interlocutor responde: “-Não, é sabão.”

“- Não é sabão, é goiabada!”

“- Não é não! Isto é sabão!”

“- É goiabada!”

“- É sabão! Prove um pedaço e você vai ver!”

O espanhol dá uma mordida, mastiga, sofregamente engole, espuminhas saindo pelo cantinho da boca:

“-É... tem gosto de sabão, mas é goiabada!”

Tem algo para dizer? Comenta então!

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