REFLEXÃO DE UMA JURADA
Dalila Jabar Torre do Vale
A propósito da minha participação na dinâmica “O Julgamento dos Aspectos Psíquicos de Ares-Marte em Nós”! – ocorrido em Chapada dos Guimarães, MT no dia 24 de março de 2007.
Queridos, o relato de bastidor de Rita Hetem, como a Cronista Atená do Trunfo HUMI de São Paulo, me estimulou a escrever minha reflexão sobre o momento que vivi e estou processando aos poucos, desde que sai da sala do julgamento, e aqui falo do efeito do julgamento em mim.
Certamente todos os que participaram também estão nesse processo, uns mais agitados, outros mais calmos, outros ainda desconfiados ou reservados.
Permitam-me expor o que é apenas uma pontinha do que estou absorvendo deste processo!
Na avaliação, este grande momento de internalização do aprendizado e crescimento, cabe dois momentos:
1. a análise da tarefa (objetivos, planejamento, organização, decisão, ação, acompanhamento);
2. a análise sócio-emocional (liderança, administração do tempo, comunicação, relacionamento, participação de cada um, motivação, administração de divergências, percepção dos aspectos em cada um).
Na minha percepção, a energia e o foco foram centralizados na análise da tarefa, de tal forma que pouco tempo sobrou para cada um aquietar-se, rever e refletir no que havia acontecido ali durante o dia, para si. No meu ver, este momento importante faltou. E isso me incomodou a ponto de centrar o “meu processo de aprendizado” neste aspecto também.
Percebi, no meu entender ainda pouco elaborado e sem tanto domínio sobre mitologia e formação dos mitos, que o “mito” e seus aspectos foram usados como “persona” para objetivar uma discussão, para provocar uma vivência interna em cada um que estava ali, refletido naquele espelho, para estimular a experiência.
Ao longo da vivência a “persona-mito-aspectos” é, naturalmente, despersonalizado e ganha múltiplas experiências, as de cada um, de cada advogado, de cada testemunha, experiências essas inter-relacionadas porque afinal somos os criadores do mito, influenciados pelos registros do passado, registros comuns a todos ou à boa parte das pessoas. Desta forma, o “produto final”, o “resultado” não é previsível e nem tem dono, não é o que deve ser, mas sim o que é ali no momento.
O mito perde a sua “onipotência” e ganha a pluralidade e a ingerência de todos e, a aparente distorção e deformação para mim é reveladora das formas que estão ocultas em cada um de nós, adormecidas e latentes.
E, no meu entender, era esse o resultado “destorcido”, que poderia ser analisado em cada um de nós, ouvindo cada um. Explorar o sentir de cada um, o que estava sendo revelado ali com toda a manobra e o teatro vivido, e, me parece que optamos por ficar, naquele momento com a forma... Uma escolha!
Para mim o momento “chave de ouro” do processo seriam aqueles últimos 60 minutos que fechariam a “gestalt”, nos permitiriam levar para o nosso dia a dia os aspectos ali condenados ou revitalizados, bem no estilo “estou levando isto para trabalhar em mim”.
No meu caso, levo mais tempo para perceber o que tenho que trabalhar em mim quando estou sozinha e a troca com o grupo me fortalece mais e me clarifica mais.
Com o grupo levo menos tempo para identificar as coisas que preciso transformar em mim. Será que é só comigo e estou revelando aqui meu lado egoísta nisto? Meu lado “quero esclarecimento agora”; ou “ninguém sai daqui sem dizer alguma coisa”? Pode ser...
O que foi vivenciado na dinâmica foi excelente, por qualquer aspecto que possamos analisar, olhar e rever. Mudaria pouca coisa: acrescentaria este momento tão mágico, impregnado com a força do momento para transformar – A análise sócio-emocional mais completa, com todo o grupo. Se não é este o foco, desculpem!
Benção a todos os mestres, devas e enteais que nos assistem e que, através de vocês, fazem chegar até nós este aprendizado e orientações!
Amo vocês, e quero confessar que todo este processo me deixou feliz, não sei por que, mas estou feliz por tudo isto que vamos poder vivenciar! Estou deveras feliz por ter “reencontrado vocês” nesta “viagem”!
Gosto muito deste tipo de trabalho porque não tem como “fingir” ou “não se revelar”. |
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