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jesus

Jesus comia carne… buda, não.

Tudo o que sabemos sobre nutrição deve servir para nos ajudar e aos outros, sem esquecer

O digitador pára

O digitador pára, as mãos suspensas sobre o teclado, e sua visão retorna ao século 20… mas o túnel do tempo se abre e ele navega de volta ao passado…
– E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor dentre as capitais de Judá; porquê de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel.
– Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes eu quis juntar os teus filhos, como a ave aninha seus filhotes sob as asas, e tu não quiseste. Eis que vossa casa ficará deserta, porque desde já eu vos digo: não me vereis mais, até que digais: bendito Aquele que vem em nome do Senhor!
– E a água cálida das marolas do Jordão beijavam os seus pés, e a areia abraçava as suas sandálias, como a dizer: eu te amo, eu te amo, eu te amo, ó meu Senhor.
– E a Jornada da Alma continuou, na Arábia, a história sem fim…

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A Casa de Hanan E o Ciliarca Cornelius

Rumores estranhos e descabidos chegavam à casa de Hanan*, o sumo sacerdote judeu, onde também moravam os seus cinco filhos, cunhados, mulheres e netos.
O ciliarca Cornelius, centurião romano que guardava a Fortaleza Antônia, também ouvira os rumores acerca de um rabi da Galileia, nascido em Nazaré. Comparecera como convidado especial à casa de Hanan e, embora conhecesse os preceitos hebraicos à mesa de refeições, não se acostumava. Aquilo não era um almoço, segundo os seus costumes romanos. Comer em silêncio? Ah, que coisa mais triste! Em Roma, a hora da refeição era uma alegria, um rebuliço de vozes e gargalhadas. Aquele jantar lhe parecia um funeral. Mas não podia negar: o pasto era de primeira qualidade.
* Hanan, ou Anás, como é citado nos Evangelhos, dividia o cargo de sumo sacerdote judeu com seu afilhado Califas. (N. do E.)

Pela cortina esvoaçante entreviam-se as torres da Fortaleza Antônia em Jerusalém. Sim, quantas vezes quedara-se no para­peito daquelas muralhas, contemplando a residência misteriosa dos sacerdotes hebreus.
Quem observasse a cidadela templária dos Hanan, admirando pelo lado de fora a austeridade sem beleza de suas paredes de pedras escuras, jamais imaginaria o fausto interior, inacessível às ralés judaicas.
Cornelius comia e pensava: “Parece que eles não gostam de ostentar a riqueza que escondem dos pobres. Quem observa a casa de Hanan por fora só vê rigor e simplicidade; não imagina o luxo que meus olhos enxergam aqui: ouro por toda parte, até nas vestes da família”.
Por trás das cortinas, ouvia-se o tinir de um instrumento musical e a voz dos cantores entoando baixinho hinos de louvor a Iavé. Cornelius não entendia nada de hebraico, só falava grego, o idioma das pessoas cultas, e seu próprio latim.
Já o velho Hanan não entendia nada de latim, mas se ajeitava com o greco-siríaco. Seus cinco filhos, no entanto, eram poliglotas e muito bem preparados para disputar o sumo sacerdócio judeu, principalmente Hanan ben Hanan, o mais jovem e intrépido.
E essa disputa não conhecia limites de parentesco: era cada um por si e Iavé por todos.
Cornelius não via a hora de terminar o jantar para entrar no assunto que vinha perturbando os seus dias: o tal rabi da Galileia. Não sairia daquela casa sem investigar o máximo que pudesse. Era novato na Judéia; chegara recentemente de Roma com Pôncio Pilatos, enviados que foram pelo césar Tiberius, para ocupar os cargos vagos – promoção conseguida à custa de conluios, crimes e fraudes. E Cornelius se orgulhava de ter ajudado Pilatos, pois isso lhe dera o posto de ciliarca da Fortaleza Antônia, um cargo militar especial. Para Roma ele era um ciliarca; para a Judéia, era um hegemon. Dentro de Jerusalém, acima dele, somente Pilatos e o césar Tiberius. Hanan e seus filhos eram nada!
Por que ambos haviam lutado tanto pelos cargos na Judéia? Porque todo romano nomeado para cargos de chefia militar na Judéia voltava rico, e as línguas alcoviteiras não se cansavam de dizer: “Na Judéia, pouco chove, mas chove ouro… Por isso, todos voltam de lá carregados de ouro”. O que era uma grande mentira; apenas seres como Pilatos e Cornelius podiam voltar a Roma carregados de ouro.

Enfim, o jantar terminou e os comensais deixaram a mesa. Depois que o velho Hanan abrisse aboca, os demais, cada um na sua vez, poderiam começar a falar, disciplinadamente, com extremo respeito. Então, o velho falou em seu desajeitado grego-siríaco:
– O hegemon está satisfeito?
– Sim, Hanan, estou satisfeito.
– Um licor para arrematar?
– Aceito.
Cornelius observou Ezequiel, o cunhado de Hanan, uma raposa velha e esperta. Notou também que havia um servo para cada comensal e veja-se: eram doze comensais, deitados em confortáveis divãs sob baldaquins no amplo salão de repouso. Agora, sem aquela lamuriosa toada hebraica, pensou Cornelius, o clima melhoraria.
Bebericaram o licor em silêncio e Cornelius sentiu-se farto de silêncio. Mal engoliu o licor e já sapecou em seu idioma a pergunta que lhe roía os miolos.
– O que o sumo sacerdote da Judéia pode dizer ao hegemon de Roma sobre os boatos que circulam?

Ora, a família de Hanan entendeu prontamente: aquele filho de Edom, maldito, já não estava ali como convidado, mas como inquisidor de Roma, e só queria especular.
O velho Hanan, do alto de sua autoridade e experiência com estrangeiros; não deixou Cornelius sem troco:
– Se o hegemon deseja saber sobre o rabi da Galileia, já investigamos. Trata-se apenas de mais um lunático sonhador, como tantos judeus que postulam a vinda de um Messias. No entanto, esse é um assunto religioso e como tal não pertence à alçada de Roma; esse assunto só diz respeito aos judeus…. Não afeta em nada o césar Tiberius e os generais que ele nos encaminhou para manter a ordem. Não é um assunto civil…. É um assunto religioso. Todos os dias surge um novo louco.
Cornelius não entendeu o que seria um “Messias” e Hanan ben Hanan teve permissão de explicar e traduzir para o grego:
– Messias significa christós, o ungido, purificado, um ser que emana do próprio Creador; mesmo que seja a sua carne gerada no ventre de uma mulher, seu espírito é de sempre, do eterno, sem começo e sem fim, puro e perfeito.

O velho, à guisa de catequese e mais explicações, pretendeu elucidar o centurião, devoto das orgias dos deuses:
– Mesmo que sua carne sofra e seja fraca, seu espírito é puro. Assim é um Messias, mas há um só Deus, o Creador de todos, Iavé, o nosso único Senhor. Um que se diga Messias terá de provar, com sinais na terra e no céu, que realmente Iavé o envio. Qualquer judeu pode se apresentar como Messias de Iavé, mas terá de provar. Se provar com os sinais da terra e não provar com os sinais dos céus, manda a lei que ele seja morto, pois mentiu em nome do Senhor. Assim é a lei dos que seguem o Senhor.
– Eu só reconheço um senhor, caro Hanan, e se isso não fosse religião, seria insubordinação e ofensa ao único senhor dos romanos e dos povos cativos, o césar Tiberius.
– Não somos um povo cativo, porque fizemos um acordo. Firmamos um tratado, caro hegemon, entre Roma e os notáveis da Judéia, incluindo a nós, do sumo sacerdócio hebreu. Roma cuida da ordem civil e os judeus cuidam da ordem religiosa, sem nenhuma intromissão de qualquer lado, lembra-te? Não vieste cá desavisado. Acaso interferimos?

Cornelius empalideceu de raiva e teve de se conter, pois o velho fê-lo sentir-se um ignorante, um idiota. Era verdade. Havia um tratado. Roma podia entrar na Judéia, dela se tomar senhora, exigir tributos e riquezas…. Tudo isso sem perder um único soldado, sem matar um só judeu, desde que nenhum romano jamais pisasse no Templo Sagrado de Iavé; desde que os assuntos religiosos jamais tivessem a intromissão de um romano; desde que os romanos só se metessem se fossem expressamente convidados para conter uma rebelião de fundo religioso com consequências na vida civil. O césar Tiberius apenas mantinha a tradição do césar Augustus: uma conquista sem perdas, só lucros. Quem não haveria de querer? Augustus aceitara tudo: controlava os judeus, não interferia em suas crenças religiosas, recebia muito ouro e, por isso, não negava privilégios aos ricos e notáveis.
Sim, havia os notáveis. Não pareciam bárbaros. Filhos de famílias ricas, podiam estudar em Roma e ter os melhores professores da Grécia.
E havia muitos judeus! Em Roma, na Grécia, na Ásia Menor, que pertenciam a Roma, mas até parecia que os césares tinham medo dos judeus. E de certo modo temiam mesmo, porque os judeus eram fanáticos por seu deus, capazes até de suicídio coletivo; pelo menos fora nisso que os sumos sacerdotes hebreus haviam conseguido fazer os césares acreditar:
– Que Edom tome a Terra Prometida e reine sobre ela com os seus tenazes: beba toda a sua água, escave todo o seu ouro, arrebanhe todos os alimentos, e os judeus abaixarão a cabeça, porque conhecem o tamanho da força de Edom. Mas que Edom não tenha a ousadia de invadir a casa do Senhor e torná-la impura. Porque, se Edom fizer isso, não haverá um só servo judeu que plante, colha, moa, teça, cozinhe ou pague o imposto dos césares, porque todos se matarão se a ordem for lançada.
Que imperador desejaria uma nação sem súditos, escravos e servos? Os césares achavam o povo judeu tão bárbaro e fanático, que acreditavam mesmo nessa possibilidade. E coçavam a cabeça pensando: “Mas… Como pode um templo ter tanta importância assim? Que deus é esse, tão ciumento e possessivo?”
Na verdade, não se tratava do templo… Tratava-se de outra coisa, que, apesar de evidente, não se definia na mente de um césar, deum ciliarca, de um procônsul, de um centurião romano.
Os judeus mais ricos e notáveis eram eleitos pelos césares, a troco de muitos tesouros, como reis-títeres da Judéia. Era o caso de Herodes e sua mulher Herodias, irmã de Agripa e mãe de Salomé.

Tratava-se, na verdade, de um arranjo mentiroso, um conluio político, um jogo de interesses, que não tinha absolutamente nada a ver com as ralés judaicas, extorquidas pelos altos dízimos de Hanan, de Roma, dos tetrarcas.
Cornelius tentou mostrar que não era desavisado, muito menos ignorante, mas um profundo conhecedor do tratado mencionado e por isso, à guisa de reparo, foi logo dizendo:
– O sumo sacerdote se engana. O rabi da Galileia não é apenas assunto religioso dos judeus. Correm boatos dizendo que ele se afirma rei da Judéia e de toda Israel, e no tratado firmado entre Roma e os judeus há uma cláusula precisa e clara que diz: os judeus são obrigados a prestar todas as informações sobre pretendentes ao trono cujas atividades possam culminar em um movimento popular; somente Roma pode fazer essas nomeações. Isto não está claro? Esse rabi incita o povo e o povo o segue.
– Ora, hegemon… – O Velho pigarreou, limpando a garganta. – Nosso trono não tem rei desde Davi! A não ser por reis-títeres nomeados por Roma. Isso não tem valor para o judeu religioso, temente ao Deus de Israel.
– Justamente! – Atalhou o centurião. – Esse rabi afirma ser filho da casa de Davi, rei de Israel, seu descendente direto e com direito ao trono.
– O hegemon vai nos perdoar, mas isso é puro boato. Já investigamos. Não há nada que u rabi da Galileia diga que contrarie nossa Tora e o governo de Roma. Realmente, essas afirmações são boatos, invencionices. Já enviamos doutores da lei para debater com ele.
– Sim, e qual foi o resultado concreto das investigações? ­ inquiriu Cornelius.

 

Contínua…

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